Com o objetivo de avaliar as políticas e ações de equidade das empresas do TRC (Transporte Rodoviário de Cargas) e medir a evolução desses resultados ano a ano, o SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região), em parceria com o Movimento Vez & Voz, apresenta o Índice de Equidade do TRC de 2024.

Criado em 2023, o indicador é fruto de um trabalho iniciado em 2022 pelo SETCESP em parceria uma série de transportadoras, entidades e o IPTC (Instituto Paulista de Transporte de Cargas). Para medir as ações das empresas, são utilizados 7 pilares fundamentais: Assédio; Diversidade; Presença feminina nas várias funções e níveis hierárquicos das empresas; Programas e benefícios destinados às mulheres; Recrutamento e retenção ; Treinamento e capacitação; e, por fim, violência doméstica.

De acordo com a presidente executiva do SETCESP e idealizadora do Movimento Vez & Voz, Ana Jarrouge, o índice é de extrema importância para o futuro do segmento. “O índice nos traz um retrato sobre a equidade no setor, dados que até então não tínhamos de forma organizada e estruturada. Os números fazem com que possamos avaliar o cenário e definir ações para o futuro. Por isso, é tão importante termos esse mapeamento”.

Resultados

Os resultados do índice deste ano mostram que, em comparação a 2023, houve um aumento de 73,33% na proporção de mulheres nas empresas, passando de 15% para 26% em 2024. Além disso, 27% das empresas disseram que fazem um acompanhamento do número de mulheres e homens na empresa em geral, representando um crescimento de 2%.

Os números mostram que todo nosso esforço de conscientização e ações junto às empresas estão surtindo efeito. Acredito que as empresas estão buscando conhecimento, troca de experiências e boas práticas no sentido de promover um bom ambiente para as mulheres no TRC”, explica Jarrouge.

Ainda conforme os resultados, 44% das empresas de transporte de cargas em São Paulo possuem estratégias para ampliar a quantidade de mulheres, número 4% maior do que no ano anterior. ”As empresas estão de fato buscando caminhos para que a equidade se torne realidade e o movimento como o Vez & Voz têm dado todo suporte neste sentido, não só através do conhecimento da legislação aplicável, mas principalmente através da troca de experiências e boas práticas entre elas”, afirma Jarrouge.

Apesar do crescimento na proporção de mulheres nas empresas, apenas 3% delas trabalham como motoristas ou ocupam cargos de liderança. Em 2024, houve uma queda de 6% em relação ao ano passado quando o tema é Funções e Nível Hierárquico.

Para Jarrouge, este é um ponto importante para evoluir. “Não podemos deixar elas ‘nichadas’ em determinadas funções, comuns para mulheres, tais como: área administrativa em geral, RH, jurídico e áreas relacionadas. Precisamos avançar e demonstrar para elas e para as empresas que as mulheres, assim querendo, têm total capacidade de ocupar cargos operacionais e de alta liderança”, afirma.

Segundo a presidente executiva do SETCESP, não adianta uma empresa querer contratar uma motorista profissional mulher e exigir muita experiência. É preciso assumir um compromisso social e preparar estas mulheres, com apoio de instituições como o SEST SENAT e a FABET.

Entre as ações a serem tomadas, é importante ter uma escolinha interna com instrutor, e outras ações que promovam não só a atração, mas a inclusão de fato destas mulheres em funções antes exercidas somente por homens. Assumir a pauta de equidade não é apenas uma decisão empresarial, deve ser um compromisso social”, completa.

Metodologia

O índice de equidade no TRC foi feito com base em um questionário de 50 perguntas, das quais 60% são sobre Políticas e Culturas (diversidade; programas e benefícios; comportamento e conduta; assédio e violência doméstica) e 40% são sobre ocupação e liderança (funções e nível hierárquico, recrutamento e retenção, treinamento e capacitação). Neste ano, as empresas que participaram representam mais 53 mil colaboradores.

Para a divulgação dos resultados, é utilizada a representação de um farol, na qual a cor verde aponta que a nota da empresa foi acima de 90% e, por isso, a organização “é uma inspiração”; o amarelo revela resultados entre 66% e 90% e a empresa “está no caminho certo”; O laranja reflete que os resultados ficaram entre 51% a 66% e significa haver “iniciativa, mas [a empresa] pode melhorar”; e, por fim, o sinal vermelho, com resultados de até 50%, indicando que a companhia “precisa rever alguns conceitos”.

Ao final, a ideia é apurar os resultados anuais para medir a evolução das empresas e do setor.

Perspectivas para o futuro

Mesmo com barreiras pela frente, é importante seguir rumo à equidade de gênero nas empresas de transporte de cargas. O índice ajuda a medir o que está sendo feito, afinal, o resultado também é um reflexo dos dias atuais. “Ao acompanharmos a evolução da presença das mulheres no TRC, demonstramos para a sociedade como um todo que o segmento está sim em transformação e comprometido em garantir um ambiente adequado, saudável e respeitoso para elas”, finaliza Jarrouge.

Por Redação Na Boléia

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