Em 2024, a Scania passou a fabricar a grade frontal de todos os caminhões montados em São Bernardo do Campo (SP) com plástico reciclado obtido de garrafas PET. A iniciativa faz parte da estratégia global da marca sueca para promover a economia circular e reduzir as emissões em toda a cadeia produtiva.

Com a nova composição, a empresa retira cerca de 1,5 milhão de garrafas PET do meio ambiente por ano com a produção média anual de 30 mil caminhões.

Cada grade frontal, conhecida internamente como T-bone, consome cinco quilos de insumos plásticos, sendo 20% de PET e 80% de policarbonato (PC). Antes, a Scania recebia o PET em estado virgem de produtores norte-americanos, mas agora utiliza material reciclado de origem nacional.

Todavia, quando toda a produção da fábrica adotar o novo composto, a Scania deixará de emitir 62 toneladas de CO₂ por ano. Essa redução ocorre não apenas pela reciclagem, mas também pelo fim do transporte marítimo do insumo importado. Assim como pela diminuição da queima de resíduos plásticos.

A inovação ocorre graças à parceria entre a Scania e seus fornecedores de plásticos e compostos. Uma multinacional química desenvolveu o plástico parcialmente reciclado que atende aos padrões de qualidade da montadora. Ela compra o PET reprocessado de recicladoras brasileiras, que coletam garrafas em postos espalhados pelo País.

Em seguida, o material é misturado ao policarbonato e entregue a outro fornecedor, responsável pela fabricação das peças instaladas nas cabines dos caminhões. Dessa forma, a cadeia completa se envolve no ciclo de reaproveitamento.

Entretanto, não se trata de uma tarefa simples. As peças passaram por testes rigorosos de impacto, fluidez, envelhecimento e aderência da pintura, inclusive na matriz da Scania, na Suécia. Somente após a aprovação do especialista principal da marca em resinas plásticas houve a liberação do novo material para uso em série.

Resultados animadores

Os ganhos ambientais são expressivos. Além do reaproveitamento de milhões de garrafas PET, a Scania registrou redução de 11% nas emissões de CO₂ por quilo de plástico produzido. E economia de 16% de energia em relação ao uso de insumos virgens.

Por enquanto, apenas a fábrica brasileira utiliza a nova composição. Mas a tecnologia limpa já despertou interesse de unidades da marca na Europa e na Ásia.

Todavia, o principal impacto ocorre no pós-consumo. Com foco de justamente transformar o que seria resíduo em matéria-prima valiosa. Estima-se que o mundo consuma meio trilhão de garrafas PET por ano. E que cerca de 1,5 mil dessas embalagens sejam descartadas a cada segundo.

Por Redação Na Boléia

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.