Na Boléia

Apaixonados por Caminhões

Librelato apresenta série “Mulheres na Estrada”

Em determinadas áreas do mercado de trabalho pode até parecer absurdo, nos dias atuais, existirem barreiras para mulheres. Porém, há profissões para as quais os obstáculos permanecem, refletidos em estereótipos, dificuldades e, principalmente, em preconceito. Para as mulheres motoristas de caminhão, por exemplo, combater tais obstáculos é tarefa diária.

Apesar de terem taxa de rotatividade mais baixa do que os homens na mesma profissão e hábitos de direção mais seguros, as mulheres caminhoneiras ainda representam uma pequena parcela dos motoristas do Brasil.

A pesquisa “Perfil dos Caminhoneiros” de 2019, da Confederação Nacional de Transporte (CNT), mostra que apenas 0,5% dos caminhoneiros são mulheres.

Entre elas está Cleusa Ximendes, de Herval-RS, e que em 2021 completará 20 anos de estrada. “Comecei minha carreira em 2001, na Braspress, e fui a primeira motorista mulher da empresa”, conta. “Não era muito comum a presença feminina nas estradas, mas isso vem mudando”.

Cleusa conta que iniciou na carreira por um acaso. “O pai dos meus filhos trabalhava com caçambas e meu cunhado com caminhão, e na época apareceu um serviço em Porto Alegre. Então tirei a habilitação de truck para ajudar a família. Nunca imaginei ser motorista de caminhão, mas hoje meu lar é a estrada”.

Apesar do início inesperado na profissão, Cleusa se tornou especialista e pioneira. Ela dirige um rodotrem de 30 metros com dolly, um dos maiores caminhões já fabricados.

O dolly é como uma carreta no meio de outras duas. Então é como se eu dirigisse três carretas com o cavalo puxando. Não é comum ver mulheres em um caminhão de 30 metros”, explica.

Além de transportar cerveja e grãos, utilizando principalmente implementos graneleiros por todas as rotas do País, Cleusa também é uma das responsáveis por treinar novos motoristas na Brambila Transportes, importante parceira da Librelato.

Paixão por ensinar

Cleusa afirma que sempre teve gosto por ajudar e ensinar outras pessoas. “Há 51 anos nascia uma gaúcha que sempre visou ajudar, sempre visou ensinar. Busquei me aperfeiçoar para que eu pudesse ensinar outras pessoas”.

Além de treinar novos motoristas na transportadora, Cleusa descobriu nas redes sociais o meio de ensinar e ajudar quem está começando na profissão. Com mais de 40 mil inscritos em seu canal do Youtube, os vídeos da motorista são um sucesso de visualização e engajamento.

Eu recebo muitas perguntas e pedidos de ajuda e quando não consigo ensinar pessoalmente, gravo os vídeos. Às vezes qualquer caixa, galho de árvore e graxa podem ajudar em uma dúvida.”

Um de seus vídeos mais recentes, no qual mostra a saída do pátio com seu caminhão de 30 metros com dolly, teve mais de 300 mil visualizações. “Meu canal no Youtube é direcionado a promover nossa profissão, para que as pessoas deem mais valor ao nosso trabalho e também para que os próprios motoristas valorizem a profissão, mostrando respeito.”

Para quem deseja se especializar como Cleusa, a caminhoneira dá a dica: “É preciso muita força, resistência e paciência. O que eu mais queria eu conquistei, que era trabalhar com um produto de 30 metros, com dolly, que tem o grau de dificuldade mais alto do setor. Meu próximo sonho é conquistar patrocínios para poder ensinar novos motoristas de graça”.

Mulheres na estrada

Este conteúdo é o primeiro de uma série. O objetivo da Librelato neste projeto é o de valorizar as profissionais da estrada por meio de suas histórias e desafios diários.

Se você for mulher caminhoneira e quiser contar a sua história, entre em contato coma Librelato, por meio do e-mail marketing@librelato.com ou do whatssApp (48) 99133.3907.

Por Redação Na Boléia

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