REVISTA Impressa – Tombamento de caminhões: Situações comuns. Erros recorrentes

Data: 18 de março de 2019

1-18032019-minPor uma questão de hábito, sempre que estou rodando por aí, no trânsito urbano ou por estradas, e fico observando os veículos à minha volta e, especialmente, os veículos de carga.

Também costumo prestar muita atenção sempre que surge a notícia de que houve o tombamento de um caminhão. E estas são tantas, que nem há espaço suficiente para mencionar todas as ocorrências.

Na edição 87, da Revista Estrada na Boleia (Set/2011), já abordava o assunto com destaque para a amarração de cargas, impressionado com a quantidade de acidentes noticiada. E desde então, observo com mais atenção como as cargas estão distribuídas sobre as carrocerias. E na edição 137 (jun/jul 2016), abordei novamente a questão dos tombamentos.

Em 24 de janeiro deste ano, um caminhão carregado tombou na Ponte Rio-Niterói, sentido Niterói, ao final da descida do vão central. Quem já passou por lá sabe que o trecho é reto, plano e com declive suave. Pelas imagens (https://glo.bo/2WE2k29) é possível ver que o caminhão está irregular e nem deveria circular: a traseira é bem mais elevada do que a dianteira, o que é proibido pelo Contran, por meio da Resolução 479/201. É provável que a carga estivesse mal posicionada.

Coincidentemente, na mesma semana, recebi uma mensagem que mostrava uma simulação do comportamento do veí-
culo quando o peso está mal distribuído sobre o reboque. O vídeo está disponível no YouTube (http://bit.ly/2HQRHWC).

Utilizando uma esteira e uma miniatura de automóvel com uma estrutura acoplada que simula uma carretinha, pequenos discos são colocados em dois pontos, próximo ao engate e na extremidade oposta, com mais peso sobre a junção carro/reboque. Com a mão é feito um toque lateral na extremidade final do reboque, e o conjunto pouco oscila, mantendo a trajetória.

Num segundo momento, um disco é retirado do ponto de junção e colocado na extremidade final. Um novo toque lateral com a mão e o conjunto todo oscila fortemente, perdendo a trajetória.

Num outro vídeo, é feito o mesmo teste (http://bit.ly/2Ssaprv), com pesos colocados em três pontos: próximo à junção, no meio e no extremo oposto. O resultado é o mesmo.

Em veículos que transportam cargas indivisíveis, o volume costuma ser disposto, em geral, sobre o eixo da carroceria ou do reboque, acreditando-se ser o ponto de maior suporte de peso. É muito comum vermos isso no transporte de bobinas de papel ou de aço. E, como demonstrado nos vídeos, pode ser essa a causa de alguns acidentes, especialmente com conjuntos de cavalo mecânico e semirreboques.

Ao entrar numa curva em velocidade um pouco maior que a devida para a trajetória e condições topográficas, é suficiente para provocar o mesmo efeito que, nos vídeos, é feito com um toque com a mão. A consequência é o tombamento do conjunto.

Cargas mal distribuídas, com mais peso de um lado do que do outro ou com mais peso concentrado na parte traseira, são situações corriqueiras quando se trata de distribuição fracionada. Carrega-se o caminhão de acordo com a rota traçada, quando o correto é carregar com a melhor distribuição de peso possível e ajustar a rota e sequência de descarregamento, conforme essa premissa. Isso, é claro, para quem trabalha de forma responsável, agindo preventivamente e colocando a segurança em primeiro lugar.

Lamentavelmente, o que vemos com frequência é a operação ditar as regras, e dane-se a segurança. E, quando o acidente acontece, o setor é o primeiro a reclamar e a isentar-se de responsabilidade.

Por: Pércio Schneider 

 

Data: 18 de março de 2019

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.