Revista: Intralogística ou Logística interna?

Data: 25 de fevereiro de 2016

1-25022016Logística, acima de tudo, é planejamento. Sem planejamento não existe logística. E mesmo em operadores logísticos, capazes de prover soluções a seus clientes, pode haver falta ou falha na logística interna em suas próprias instalações

Li, no final do ano passado, um artigo publicado na revista Transpodata (edição 56, out/nov 2015), cujo título era “Os benefícios da intralogística”.

No texto, o autor dizia que é um termo relativamente novo da Logística, que define as operações realizadas dentro dos muros das indústrias e armazéns e engloba todos os processos e atividades de movimentação interna de materiais, citando o recebimento, conferência, armazenagem, inventários, abastecimento de linha, retirada do produto acabado da produção, separação, embalagem e expedição.

Pessoalmente, tenho uma visão um pouco diferente. Para começar, Logística não é transporte. O transporte é apenas uma parte da logística, este sim responsável pela movimentação de materiais, aconteça essa movimentação intramuros ou extramuros.

Logística é muito mais do que isso.
A simples disposição de matérias dentro de um espaço, quando estão distribuídos de acordo com um planejamento logico, já é Logística. Exemplo disso é o que vemos num supermercado. Apesar de também comercializar eletrodomésticos, roupas e outros itens, a maior parte do público vai até lá para comprar gêneros alimentícios e produtos de limpeza e, dessa forma, boa parte das compras dos demais itens é feita por impulso, ou seja, são compras não planejadas.

Por essa razão, esses itens ficam dispostos logo na entrada do mercado, quando os carrinhos de compras ainda estão vazios, pois se já estivessem cheios de alimentos e material de limpeza, não haveria muito espaço para ser colocada uma TV ou qualquer um daqueles itens não previstos/programados, e boa parte das compras por impulso não se efetivaria.

Voltando ao tema do título, o que quero abordar aqui é se as empresas de transportes possuem ou realizam logística interna ou intramuros. Sim, mesmo em operadores logísticos, capazes de prover soluções a seus clientes, pode haver falta ou falha na logística interna em suas próprias instalações.

Os exemplos das situações possíveis são inúmeros.

O portão da empresa permite a entrada e saída dos veículos sem a necessidade de grandes manobras? Pode parecer bobagem, mas os caminhões estão cada vez maiores e requerem mais espaço para entrar e sair. Muitas vezes, e por falta de espaço, acabam raspando os pneus ou gerando uma compressão lateral que futuramente irá resultar em descolamento e bolhas na carcaça. Se o estouro ocorrer durante uma viagem, a possibilidade de alguém lembrar que na porta da empresa existe um problema e que este é o causador do dano é ínfima.

A localização da bomba de abastecimento (quando possuir abastecimento interno) e do calibrador de ar para os pneus permite que as ações sejam realizadas de forma independente, sem que uma interfira na outra?

A área de estoque é organizada de forma que os deslocamentos sejam os menores possíveis para que o carregamento ou descarregamento ocorram no mínimo de tempo? Se possuir docas, o caminhão é direcionado para aquela que estiver mais próxima do espaço em que a carga será armazenada ou de onde serão retirados os itens que serão carregados? Ou, melhor ainda, antes do caminhão chegar já está determinado onde deve parar, com toda a infraestrutura necessária pronta e à disposição? Ou vai para onde der?

São minutos preciosos que podem ser ganhos, diminuindo-se o tempo parado e aumentando-se a disponibilidade da frota.

A empresa possui e realiza checklist? Em que momento isso é feito? Por que não fazê-lo enquanto o caminhão está parado, carregando ou descarregando? Também se pode aproveitar esse momento para reparos simples, como uma troca de lâmpadas, de palhetas do limpador de parabrisas ou outra manutenção simples que não requeira equipamentos ou ferramentas mais complexas. Novamente, ganho de tempo.

Se o motorista comunicou alguma irregularidade durante a viagem, o setor de manutenção já está preparado para verificar o que possa ter ocorrido? Será necessário o deslocamento até a oficina? Se for, já estão preparados para fazer o que é necessário, com pessoas, ferramentas e peças disponíveis? Obviamente, um relato pelo rádio, telefone ou sistema de rastreamento e comunicação pode não ser suficientemente claro e exato para determinar a possível falha e sua solução, mas é mais que suficiente para deixar a equipe de manutenção de sobreaviso de que algo precisa ser verificado.

Logística, acima de tudo, é planejamento. Sem planejamento não existe logística.

Por: Pércio Schneider

Data: 25 de fevereiro de 2016

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