REVISTA: Estudo CNT avalia condições das rodovias brasileiras

Data: 04 de janeiro de 2019

01-04122019A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou os resultados da 22ª edição da Pesquisa Rodovias, que tem como objetivo classificar a malha brasileira em diversos quesitos. O estudo da CNT e do SEST SENAT avaliou toda a extensão da malha pavimentada federal e as principais rodovias estaduais pavimentadas. O estudo apresenta também o ranking de qualidade de 109 ligações rodoviárias.

As equipes de pesquisadores da CNT percorreram por 30 dias mais de 107 quilômetros de vias. Os resultados são um importante instrumento de consulta para todos os caminhoneiros autônomos e transportadores do País, servindo de base para o estabelecimento de políticas setoriais de transporte, projetos da iniciativa privada, programas governamentais e atividades de ensino e pesquisa, que podem contribuir para o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas e de passageiros (Veja o gráfico 1).

Dos 107.161 km analisados, o estudo apontou que 57,0% apresentam algum tipo de problema no estado geral. A avaliação contemplou as condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via. Em 2017, esse percentual era de 61,8%. No que diz respeito ao pavimento, 50,9% dos trechos avaliados receberam classificações regular, ruim ou péssima.

Na sinalização, as equipes identificaram que 44,7% da extensão das rodovias apresentam algum tipo de deficiência. Já em se tratando de geometria da via, 75,7% da extensão das rodovias brasileiras pesquisadas foram classificadas com regular, ruim ou péssima. De 2017 para 2018, o número de pontos críticos subiu de 363 para 454, um aumento de 25,1%. O estudo considera situações críticas que podem trazer graves riscos à segurança dos usuários, como queda de barreira sobre a pista, ponte caída, erosões na pista, buracos grandes etc. Tais condições aumentam o custo operacional do transporte (Veja a tabela 1).

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Na pesquisa foram identificados 454 trechos com pontos críticos. Em 2017, esse número era de 363. O fato é que rodovias deficientes causam mais acidentes e também aumentam o custo de manutenção dos veículos, além do consumo de combustível, lubrificantes, pneus e freios. As condições do pavimento nas rodovias brasileiras, por exemplo, representam aumento médio de 26,7% do custo operacional dos transportadores, percentual praticamente igual (27%) do divulgado na última edição do levantamento.

Somente no ano passado, em 2017, foram registrados 89.396 acidentes em rodovias federais, gerando um prejuízo de cerca de R$ 10,77 bilhões (mais que os recursos previstos pela União para investimento nas rodovias federais neste ano). Foram 6.243 mortes e ainda 84.075 pessoas feridas no ano passado (Veja tabela 2).

img_07-04122019Ainda em relação às condições da malha rodoviária brasileira, o levantamento mostrou que há diferenças nesta classificação conforme o tipo de administração (gestão pública ou concedida) e a região do País. A região Norte, que não possui nenhuma concessão, é a que carrega as piores condições de pavimento e, consequentemente, o maior acréscimo de custo operacional aos transportadores (40%).

No contraponto vem a região Sudeste, que possui as melhores condições, mas ainda impondo custo adicional de 22% aos transportadores. Essa situação também impacta o preço do frete e dos bens e serviços consumidos pela população, bem como reduz a competitividade das empresas.

-04122019Falta de investimentos

A falta de investimentos é a principal causa desse cenário desanimador. Segundo a CNT, para corrigir os problemas mais urgentes, reconstrução, restauração e readequação das vias desgastadas, são necessários R$ 48,08 bilhões. O orçamento de 2018 para infraestrutura rodoviária foi de R$ 6,92 bilhões.

Apesar do baixo investimento em infraestrutura no Brasil, entre 2017 e 2018, o estudo apontou uma pequena melhora no estado geral das rodovias avaliadas pela CNT, justificada, principalmente , pelo avanço nas condições de sinalização. Em 2017, no quesito sinalização, a pesquisa registrou 40,8% de ótimo ou bom. Já neste ano, esse número subiu para 55,3%. Os percentuais ruim, regular e péssimo em 2017 eram 59,2% e agora ficou em 44,7%.

Por: Redação Na Boléia

Data: 04 de janeiro de 2019

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