Revista: CNT apresenta a segunda edição do Atlas do Transporte

Data: 29 de agosto de 2019
Postado em: Estradas

4-1-29082019-minA CNT (Confederação Nacional do Transporte) lançou, em junho, a segunda edição do Atlas CNT do Transporte que traz mapas ¬temáticos, além de informações fundamentais sobre a infraestrutura e a operação dos sistemas rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário e sua integração multimodal.

Segundo a entidade, “o lançamento de um Atlas dedicado ao setor de transporte contribui de maneira significativa para a construção de um conhecimento especializado do mercado, além de possibilitar o registro histórico de informações capazes de promover o aprendizado com a experiência vivenciada pelos próprios transportadores”.

Para facilitar a consulta, além da versão impressa, a Confederação também lançou o site www.atlas.cnt.org.br. Por meio da página, é possível fazer o download da íntegra do material, bem como dos mapas específicos.

Com mais de 100 mapas, a publicação oferece, com alto padrão cartográfico, informações relevantes da logística e das operações de transporte sob a perspectiva da análise geográfica, contemplando características dos deslocamentos, como volumes, velocidades, condições da infraestrutura e aspectos socioeconômicos.

O trabalho está dividido por modal e, além de trazer dados de cada segmento do transporte, utiliza informações dos produtos desenvolvidos pela CNT, como o Anuário CNT do Transporte, a Pesquisa CNT de Rodovias e o Plano CNT de Transporte e Logística.

No modal rodoviário, por exemplo, é possível identificar mapas da malha brasileira pavimentada e não pavimentada, federal e estadual, de pista simples e de pista dupla, além das rodovias públicas e concedidas. Já no modal ferroviário, o Atlas ilustra detalhes da malha de cada concessionária que opera no país. Além disso, mostra os principais terminais.

A publicação também apresenta onde estão localizadas as principais hidrovias do país. Outro dado relevante é a localização dos portos organizados e dos TUPs (Terminais de Uso Privativo). Por fim, no setor aeroviário, a publicação identifica os aeródromos brasileiros com voos regulares e traz a distribuição das rotas aéreas brasileiras, assim como o fluxo das aeronaves e os pontos com maior movimentação de passageiros e de cargas.

Os mapas multimodais representam as infraestruturas dos diferentes modos de transporte de forma conjunta, permitindo visualizar os diferentes sistemas no território nacional, bem como seus potenciais de integração.

RODOVIAS

O levantamento indicou, por exemplo, que a malha rodoviária do País é composta por 1.720.700 km de rodovias, entre os quais apenas 213.453 km (12,4%) são pavimentados. Isso representa uma densidade de 25,1 km de rodovias pavimentadas para cada 1.000 km² de área do território brasileiro.
O gráfico a seguir apresenta uma comparação entre as densidades de malha rodoviária pavimentada em países de dimensão territorial semelhantes à do Brasil e em outros países da América Latina.

 

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A reduzida extensão da malha rodoviária pavimentada e a baixa disponibilidade da infraestrutura dos demais modais, combinadas à crescente frota de veículos rodoviários, representam um aumento da demanda por essa infraestrutura. O gráfico a seguir permite verificar a defasagem entre o aumento da malha rodoviária pavimentada e o crescimento da frota total de veículos no País.

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A pesquisa também mostrou que o baixo investimento verificado na expansão da malha rodoviária também pode ser constatado nas ações de conservação e manutenção das condições das rodovias existentes, especialmente sob gestão pública. Tal fato é confirmado pelos resultados da Pesquisa CNT de Rodovias, realizada anualmente em todas as rodovias federais pavimentadas e nas principais rodovias estaduais também pavimentadas. Em 2018, foram pesquisados 107.161 km da malha rodoviária pavimentada, dos quais 57% foram classificados como regular, ruim ou péssimo com relação ao seu estado geral, que é calculado pela combinação das condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via. O gráfico abaixo apresenta os resultados da malha rodoviária total por variável em 2018

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A Pesquisa ainda traz uma avaliação das condições das rodovias com base no seu tipo de gestão. Da extensão pesquisada em 2018, 19.598 km estão concedidos, o que representa pouco mais de 18%. Os outros 87.563 km encontram-se sob gestão pública. Na análise por tipo de gestão, 65,8% das rodovias sob gestão pública foram classificadas com base em seu estado geral como regular, ruim ou péssima.

Considerando a predominância do modal rodoviário na matriz de transporte do Brasil, os gargalos físicos identificados pela Pesquisa CNT de Rodovias impactam todo o sistema logístico do país. Condições insatisfatórias das rodovias ocasionam a elevação dos custos do transportador, o aumento da emissão de gases poluentes e a redução da segurança nas rodovias. A elevação dos custos ao transportador está associada às ocorrências frequentes de avarias, à consequente necessidade de manutenção mais intensiva e com maior regularidade dos veículos e ao aumento do consumo de combustível. Tais custos são repassados a toda a cadeia produtiva que utiliza esse meio de transporte, encarecendo os produtos brasileiros e inibindo a competitividade geral do País.

Outro ponto abordado no estudo aponta a redução das condições de segurança relacionada à maior gravidade dos acidentes ocorridos nas rodovias classificadas como Regular, Ruim ou Péssimas. Por outro lado, verifica-se uma maior frequência de acidentes nas rodovias avaliadas como Ótimo ou Bom.

Nesses trechos, destaca-se a importância de uma sinalização adequada, capaz de reduzir tanto o número quanto a severidade das ocorrências. Os acidentes rodoviários já representam um custo para a sociedade e para o poder público muito maior que o montante investido anualmente nas rodovias federais. Assim, torna-se fundamental um maior direcionamento de recursos públicos para a conscientização dos motoristas quanto à importância de uma condução defensiva e para obras de melhoria da qualidade das rodovias brasileiras.

As informações citadas nesta matéria foram extraídas integralmente do Atlas CNT do Transporte, que está disponível para download.

Por: Redação Na Boléia

Data: 29 de agosto de 2019
Postado em: Estradas

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