Por que a mídia social não vai matar a imprensa?

Data: 05 de junho de 2019

1-05062019-minO avanço das mídias sociais é um fenômeno inevitável num mundo cada vez mais moderno e digital. O filósofo Fabiano de Abreu comentou sobre o tema, abordando o aparente declínio da imprensa tradicional e revelando, com base em seus estudos, um parecer surpreendente a respeito do tema.

Com o declínio de grandes veículos de comunicação, em especial impressos, o questionamento sobre os rumos futuros da imprensa tem sido discutido não apenas em rodas de debate acadêmico, mas em todos os lugares. No entanto, para Fabiano de Abreu, a imprensa tem a credibilidade que lhe garante a sobrevivência: “mídia social não é site de notícias. Hoje em dia qualquer um pode ser um influenciador na rede social, mas somente a imprensa tem a credibilidade, o selo que atesta que aquela pessoa que está ali falando realmente é um especialista no assunto e tem condições de dar um parecer. A mídia social não tem a credibilidade que a imprensa, feita por profissionais que são responsabilizados pelas notícias que publicam, tem”.

Sobre o temor de que a rede social fosse matar a imprensa, o filósofo revela que na verdade o crescimento das plataformas digitais aumentou a relevância dos meios de comunicações tradicionais: “quando a mídia social começou a tomar um pouco do espaço da imprensa, os jornalistas começaram a se preocupar demais. Eu escutava muito as pessoas temendo o fim da imprensa, mas nota-se que isso nunca vai acontecer. A imprensa na verdade ganhou relevância, muito mais do que no passado, porque ela detona o ‘fake news’ que possa surgir na rede social. Quando você publica algo, uma informação, e ela não é validada pela grande imprensa, não há garantia de que aquele influenciador esteja falando a verdade”.

Fabiano diz que relevância não é conquistada com número de seguidores: “eu vi uma rede social uma vez de um garoto que tem milhares de seguidores porque faz uma ‘tremidinha’ até embaixo, até o chão. Esse rapaz é um artista? Certamente não. Relevância não significa ter muitos seguidores. Às vezes, as pessoas crescem na rede social pelo meme, pelo bizarro, mas isso não quer dizer que seja uma pessoa pública. E aí entra a imprensa, a credibilidade, ser uma referência por algum motivo realmente válido, pelo talento”.

Em relação ao que diferencia a mídia social da imprensa, Fabiano é enfático em estabelecer que o limite que as separa é a responsabilidade: “na imprensa não se pode noticiar nada sem apurar os fatos. Essa é a ética profissional. No jornalismo, você pode até induzir, mas não mentir, jamais. São profissionais passíveis de processo e que podem ser responsabilizados e perder uma carreira por uma ‘fake news’. O que diferencia é a responsabilidade”.
Em relação ao possível declínio da imprensa, ele diz: “a imprensa não está em declínio, está em adaptação. As empresas estão acostumadas a investir no marketing do impresso, o impresso perde lugar para a comodidade do on-line. O on-line se adapta ao novo modelo evolutivo incentivado pela mídia social e pelo desenvolvimento social natural. A imprensa ganha força na credibilidade e no tempo que a mantém. Agora é o marketing que tem de se adaptar e encontrar modelos para incentivar o anúncio on-line. O Google chegou na frente e criou uma cultura de anúncios, e devido à soberania e a falta de concorrência nivelada, o repasse dos anúncios é baixo. Precisa de mais plataformas concorrentes ao Google, que pague melhor pela audiência, beneficiando assim os sites de notícias tradicionais e de grande audiência. E os setores comerciais buscarem métodos para anúncios no on-line de forma atrativa, adaptando os patrocinadores a essa cultura de anúncios.”

Por: Redação Na Boléia

Data: 05 de junho de 2019

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