Estudo: somente investir em malha viária não reduz congestionamentos

Data: 11 de fevereiro de 2019

1-1-11022019-minSegundo os dados da 3ª edição da pesquisa The Future of Mobility, divulgada em 2018 pela consultoria americana em mobilidade Arthur D. Little em parceria com International Association of Public Transport (uITP), investir em malha viária não vai diminuir congestionamentos em grandes cidades.

Conforme o levantamento, a taxa global de congestionamento do tráfego rodoviário tem aumentado continuamente nas áreas urbanas em todo o mundo e as chances de diminuí-lo com melhorias incrementais no trânsito são baixas.

Segundo o estudo, realizado em 100 cidades, o nível de congestionamento mundial é mais intensamente ocasionado nas grandes cidades (com mais de 800 mil habitantes) e megacidades (que têm mais de 10 milhões de pessoas) do que nas menores. Na América Latina, dez cidades são citadas com alto acúmulo de tráfego, sendo quatro no Brasil: Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. A pesquisa concluiu ainda que, em países com PIB (Produto Interno Bruto) igual ou acima do nível emergente, a proporção de veículos por quilômetro e o comprimento total da malha viária cresce no mesmo ritmo, impedindo que haja diminuição no volume de tráfego.

Para o coordenador do curso de Gestão do Trânsito e Mobilidade do Centro Universitário Uninter, Gerson Luiz Buczenko, essas conclusões revelam que a expansão rodoviária já não resulta em efeitos práticos para o descongestionamento das cidades. “As cidades têm limite de absorção. Não adianta investir em capacidade se o volume de veículos nas ruas também aumenta. Foi o que aconteceu na Europa”. Segundo Buczenko, o trânsito ficou tão difícil no continente europeu que individualmente foram surgindo iniciativas de mobilidade urbana e aumento do uso de transportes alternativos, como bicicletas e caronas solidárias.

Nos próximos 30 anos, a demanda global de passageiros mais do que dobrará nos grandes centros urbanos, chegando a 120 bilhões de passageiros por quilômetro até 2050, de acordo com a pesquisa realizada pelo International Transport Forum Outlook (2017). O aumento, explica o coordenador do curso de Gestão do Trânsito e Mobilidade, está relacionado à expectativa do aumento da renda per capita nos países emergentes. “Esse aumento gera um efeito positivo na economia, levando à aquisição de veículos de uso privado, mas negativo em termos de mobilidade”, avalia.

Para Buczenko, é preciso adotar soluções alternativas como incentivo por meio de políticas públicas da chamada “carona solidária”, mais investimento em transporte coletivo de alta velocidade, além de incentivo fiscal para redução de veículos emissores de CO2. “Por enquanto, são medidas consideradas marginais na América Latina, mas vemos com o exemplo da Europa que essas ações se tornarão obrigatórias para que as cidades existam”. Não à toa, a Holanda estipulou até 2030 o prazo para banimento total de veículos movidos a petróleo e diesel. No mesmo caminho, seguem a Noruega (2035), França e Reino Unido (2040).

Curso

A partir de 2019, o Centro Universitário Internacional Uninter passa a oferecer o curso de graduação Gestão do Trânsito e Mobilidade, na modalidade a distância. Com duração de dois anos, o curso lança um olhar diferenciado para a constituição do centro urbano, na perspectiva dos direitos humanos, sem perder de vista a importância da relação do ser humano com o meio em que vive. As inscrições vão até 18/02 pelo site ou pelo telefone 0800 702 0500.

Por: Redação Na Boléia

Data: 11 de fevereiro de 2019

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