É muito lixo jogado ao longo da Rodovia Dom Pedro


É lei, mas poucos parecem cumprir o artigo 172 do código de trânsito brasileiro, que prevê multa e quatro pontos na carteira para quem atirar objetos do veículo ou abandoná-los na via. A realidade das rodovias do interior de São Paulo, no entanto, tem dado ideias às concessionárias para que transformem em ação social a falta de educação dos motoristas e moradores do entorno das pistas.

É o caso da Rota das Bandeiras, que administra o trecho conhecido como corredor Dom Pedro 1º e envolve 300 km de rodovias por 17 municípios de Jacareí a Mogi Guaçu, passando por Campinas e Itatiba.

A concessionária, que recolhe diariamente cerca de 3 toneladas de lixo, vai abrir uma usina de reciclagem e dar apoio à cooperativa Reviver, da cidade de Itatiba, para que eles possam aumentar sua produtividade. Atualmente, a cooperativa recicla em média 130 toneladas de resíduos por mês, após a inauguração da usina, prevista para agosto deste ano, a capacidade deverá ir para 220 toneladas mensais.

A coordenadora do projeto Rota Reciclável, que estabeleceu uma parceria com a prefeitura de Itatiba e com outras empresas para levantar a usina com investimento de R$ 1,5 milhão, Marcela Rezende, diz que se a experiência der certo, isso pode ser replicado nas cidades onde a concessionária presta serviço.

“Nas cidades onde há uma coleta de lixo reciclável estruturada é possível pensar em projetos como este”, conta. “Nem todas as cidades têm a demanda de uma usina, mas grupos de cidades podem ter.”

No ano de 2013 foram recolhidos 1.024,40 toneladas de resíduos nas estradas sob concessão da Rota das Bandeiras. Estes resíduos atualmente são encaminhados para o aterro sanitário de Paulínia, na região de Campinas.

Cooperados terão treinamento para atuar em usina de Itatiba

O projeto da concessionária Rota das Colinas, que deverá entregar em agosto uma usina de reciclagem na cidade de Itatiba, inclui a capacitação dos trabalhadores da cooperativa para lidarem com os equipamentos e também para empreender. 

O treinamento, iniciado em novembro do ano passado, tem duração de 15 meses e visa garantir um aumento de renda aos cooperados, funcionando como uma consultoria de negócios. De acordo com a Rota das Bandeiras, em um prazo de 15 meses após a implantação da nova usina, o projeto passa a ser independente, totalmente administrado pela Cooperativa e com supervisão de órgãos do município. 

O terreno, já cedido pela prefeitura de Itatiba, fica próximo ao antigo aterro sanitário da cidade.

Móvel, televisão e fralda estão entre descartes

São vários os objetos mais incomuns encontrados pelas concessionárias. Eletrodomésticos e móveis têm os acostamentos de estrada como destino final.

Nada é tão incomum que não possa ser encontrado na beira das estradas paulistas. Além de itens de higiene, ou da falta dela, como fraldas e sacos de lixo orgânico, os funcionários da empresa BC2, que passam os dias percorrendo as rodovia sob concessão da CCR AutoBAn, enchem diariamente a caçamba do caminhão com entulhos, plásticos, forros de sofá e até móveis e televisores.

De acordo com os funcionários, os lugares com maior concentração de lixo são as áreas mais próximas a bairros e sob os pontilhões dos complexos viários. 

Entre os material mais comuns, de acordo com a concessionária Rota das Bandeiras, que administra 297 km de estradas, estão papéis, papelão, sacos plásticos, latas, garrafas e ressolagem de pneus. Não que não seja comum também encontrar pallets e até sapatos. 

Animais/ Os maiores prejudicados diretos são os animais que vivem nas áreas dos entornos das rodovias. Restos de alimentos deixados podem servir de atrativos aos bichos, que podem ser atropelados ou morrerem sufocados ao ingerir objetos plásticos. 

Problemas estruturais e de segurança aos próprios motoristas estão também na lista dos prejuízos causados pelo lixo nas estradas. O entupimento dos bueiros e dos sistemas de drenagem das pistas podem levar a desastres. Sem escoamento, a água das chuvas pode voltar para a pista e formar uma película sobre a rodovia, o que pode causar a aquaplanagem, que é quando os pneus do veículo perdem aderência com o solo, causando deslizamento.

Apenas no trecho de 297 km sob concessão da Rota das Bandeiras, em 2013, foram recolhidos mais de mil toneladas de resíduos, na maioria sólidos, o que dá a média de 2,8 toneladas por dia. Nas estradas sob concessão da Rota das Colinas, 307 km, foram recolhidos 854 toneladas de lixo, 2,3 toneladas diárias. E nos 317 km administrados pela CCR AutoBAn, foram recolhidos 26 toneladas só no primeiro semestre de 2013.

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