Copa dos Feriados

Data: 20 de junho de 2014
Postado em: Esporte

Junho de 2014: mês da Copa do Mundo no Brasil. Doze cidades¬-sede, oito grupos, 32 seleções e 64 partidas. Na primeira fase, quatro jogos em cada cidade. No total, por cidade, te¬remos o seguinte: 

>> Cuiabá, Curitiba, Manaus e Natal: 4 jogos 

>> Porto Alegre e Recife: 5 jogos 

>> Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e São Paulo: 6 jogos 

>> Brasília e Rio de Janeiro: 7 jogos 

Pela já conhecida incapacidade dos nos¬sos governantes de fazer as coisas de maneira séria e responsável, a maior parte das obras de infraestrutura e acessibilida¬de não foi realizada e a maneira que en¬contraram para aliviar o problema do trân¬sito nos dias de jogos foi decretar feriado nas cidades-sede. 

Pior ainda a atitude do governador da Bahia, que decretou feriado no Estado nos dias de jogos do Brasil, independemente da cidade em que forem realizados. Só na primeira fase serão três feriados estaduais (12, 17 e 23/jun) e seis em Salvador (13, 16, 20 e 25/jun, 01 e 05/jul). Com isso, ha¬verá semana com apenas um dia útil em Salvador (18/jun). 

A esta altura, o leitor já deve estar se per¬guntando: E o que tudo isso tem a ver com pneus, transporte e boleia? Explico: 

Quando falamos em treinamento e quali¬ficação para transportadores, sejam eles autônomos ou frotistas, é quase unâni¬me a alegação de que não podem pa¬rar, que precisam trabalhar, que não há tempo disponível e muito menos ocioso. Mesmo em empresas que contêm certi-ficações, como ISO ou Sassmaq, onde existe o compromisso de realizar de¬terminada quantidade de horas anuais com treinamento, isso raramente é feito. O mesmo se aplica a paradas para revi¬são e manutenção dos veículos. 

Também são recorrentes as reclamações de quem atua no setor sobre as restrições impostas à circulação de veículos de carga nas áreas urbanas em cidades de diversos tamanhos, não somente nas grandes ou nas capitais. 

Como dito acima, junho de 2014: mês da Copa do Mundo no Brasil. E aqui fica a pergunta: quantos transportadores, autô¬nomos ou frotistas, vão continuar rodando e trabalhando em dias e nos horários dos jogos do Brasil? Se alguém acredita nisso, provavelmente também acreditava que as obras de mobilidade e infraestrutura fica¬riam prontas para a Copa. 

Mas se podem parar para assistir algo tão pouco importante para sua vida e seu sus¬tento, por que não podem parar para parti¬cipar de um treinamento ou para fazer uma manutenção, estas sim, ações que efetiva¬mente contribuem para sua atividade? 

E naquelas cidades onde será feriado para outros jogos que não sejam do Bra¬sil? Vão aproveitar o tempo parado para alguma atividade útil e necessária, mas sempre adiada? 

E sobre esses dias de inatividade com fe¬riados? Não vi, até agora, nenhuma entida¬de ligada aos transportes reclamar disso, especialmente aquelas que sempre se ma¬nifestam contra as restrições à circulação utilizando sempre o mesmo argumento: que são profissionais que precisam traba¬lhar, como se todos os demais veículos em circulação estivessem ocupados por pes¬soas em período de férias, que, sem nada para fazer, tivessem resolvido passear pela cidade. 

Seja você a favor ou não da realização da Copa no Brasil, dos gastos bilionários com a construção de estádios e quase nada com infraestrutura, aproveite a oca¬sião a que seremos forçados e transfor¬me esse tempo parado em algo que real¬mente lhe seja útil. 

Afinal, como disse Joana Havelange que, não por acaso, é filha de Ricar¬do Teixeira e neta de João Havelange e uma das executivas do COL (Comitê Organizador Local) da Copa: “O que ti-nha para ser gasto, roubado, já foi.” http://migre.me/jrCnm

 

Data: 20 de junho de 2014
Postado em: Esporte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.