A saúde dos caminhoneiros vai mal

Data: 22 de agosto de 2018
Postado em: HOME SLIDESHOW, Saúde

6-1-20082018-minA profissão de caminhoneiro, como todo mundo deve imaginar, é extremamente desgastante e estressante. São muitas horas nas estradas, poucas horas de sono – apesar da legislação determinar paradas regulares para descanso –, uso indiscriminado de medicamentos, más condições de trabalho e, na maior parte das vezes, baixa remuneração. Essa realidade desencadeia uma série de problemas físicos e psicológicos, muitas vezes, com prejuízos graves ao organismo.

E para completar o quadro, sabe-se que o caminhoneiro não cuida muito da saúde, seja por falta de tempo ou mesmo descuido. Uma pesquisa recente, realizada pela concessionária Arteris, entre janeiro e dezembro de 2017, com 3.522 caminhoneiros que passaram pelos trechos sob concessão do Grupo, mostrou que a rotina de longas viagens, a alimentação desregrada, a falta de atividade física e as poucas horas de sono trazem grandes danos à saúde dos motoristas.

Dos que foram ouvidos, 30% estão obesos; 35% apresentam colesterol alto e 37% possuem glicemia alta. A falta de sono também foi constatada: 25% enfrentam uma jornada de mais de 18 horas no trânsito e 51% dormem na própria boleia do caminhão. A pesquisa ainda revelou que 33% ficam fora de casa cerca de 20 dias em um único mês e, para driblar o cansaço da profissão, 19% deles utilizam anfetaminas.

Para ajudar a reverter esse quadro, a própria Arteris, bem como a Polícia Rodoviária Federal, entidades de classe e outros órgãos do setor costumam fazer campanhas educativas, mostrando para os profissionais da estrada a importância de se cuidarem. Em junho, na passagem do Dia do Caminhoneiro, a Arteris desenvolveu mais uma edição do Acorda Motorista, que além de levar orientação sobre os riscos do uso de medicamentos e como equilibrar o tempo de jornada e as paradas, os caminhoneiros passaram por uma avaliação médica e responderam a um questionário baseado na Escala Epworth, que avalia o nível de sonolência. As equipes também inspecionaram as condições de iluminação e as faixas refletivas dos veículos, promovendo ainda pequenos reparos.

A Polícia Rodoviária Federal também mantém o Programa Comando de Saúde nas Rodovias, que busca detectar motoristas profissionais de veículos de carga que não cuidam da própria saúde. Periodicamente, são oferecidos avaliações e exames, como a pesquisa de doenças pré-existentes, aferição de pressão arterial, níveis de glicose, acuidade visual e auditiva, campo visual, força manual, vacinação e grau de sonolência.

Da mesma forma, o Sest Senat costuma realizar palestras e campanhas, que contemplam conteúdos sobre questões de saúde, psicossociais, qualidade de vida e econômicas, trazendo informações úteis e atualizadas aos trabalhadores do transporte.

Razões do descuido

Na verdade, quando perguntados sobre as razões que os levam a não cuidar da saúde, há quase uma unanimidade: a falta de tempo é o maior obstáculo para quase nunca visitarem um médico.

“Sinceramente, eu só procuro um médico na emergência. Tempos atrás, sofri por gastrite, com fortes dores, o que me fez visitar um médico. Na verdade, sabemos sim que é necessário realizar check-ups anualmente, mas as viagens longas acabam atrapalhando nosso planejamento”, conta Gilmario Teraco, motorista há 18 anos em São Paulo.

Francisco de Souza, há 12 na estrada, também reconhece a importância de cuidar da saúde, mas confessa que isso fica sempre para segundo plano. “No ano passado, consegui fazer um check-up. A intenção é repetir neste ano, mas até agora não marquei os exames”, revela.

A dificuldade de marcar exames e encontrar médicos especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS) também é vista como obstáculo no cuidado com a saúde.

“Dependendo da região que você mora, é muito difícil encontrar um médico ou marcar exames. Se a pessoa tiver um problema grave e precisar de um exame, ela corre o risco de falecer antes, porque as marcações demoram muito”, descreve Lucio Fontes da Silva, há seis anos na profissão.

A crise econômica, que está impactando a economia e, principalmente, o setor de transportes, também fez com que motoristas cancelassem planos de saúde.

“Eu tinha um plano de saúde simples, para pelo menos fazer exames de rotina. Mas com a crise e escassez de frete, me vi obrigada a cancelar. Hoje, dependo do SUS, que é um serviço muito ruim”, comenta Silvina Pacheco Ramos, motorista há 10 anos.

7-20082018-minSegurança na viagem

Na verdade, manter a saúde em dia é importante até mesmo para que o motorista trabalhe melhor, com mais rendimento e mais segurança na viagem. Porém, a maior parte dos motoristas preocupa-se mais com a manutenção do veículo, mas se esquece da manutenção do próprio corpo.

Os registros de motoristas – não só de caminhão – que sofrem de mal súbito e provocam acidentes nas estradas são sempre noticiados e não são poucos.

Por isso, é um assunto que deve ter cada vez mais atenção das autoridades e entidades do setor, no sentido de buscar minimizar essa realidade e conscientizar os caminhoneiros. Em 2017, segundo pesquisas do setor, o mal súbito foi a causa de mais de 15% dos atendimentos médicos em estradas brasileiras.

“Já vi colegas passarem mal ao volante e precisarem interromper a viagem para descansar ou tomar um medicamento, muitas vezes, sem prescrição médica”, revela Luiz Augusto Fereira, há oito anos na boleia.

A automedicação é outro problema do caminhoneiro. Uma pesquisa realizada no ano passado, pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade, mostrou que mais de 70% da população brasileira toma remédio sem receita.

Nessa onda, entram os famosos rebites, substâncias que ajudam a reduzir o apetite e o sono, mas prejudicam a saúde, sem falar que aumentam os riscos de acidentes. Infelizmente, essa é uma prática também comum nas estradas, que as autoridades tentam acabar. A própria lei da obrigatoriedade dos exames toxicológicos é uma tentativa de reduzir esse problema recorrente.
Diante disso, fique atento e cuide de você. Saúde é coisa séria e é seu bem mais valioso!

Outros dados da pesquisa da Arteris

• 3% ficam hospedados em hotéis na rotina de trabalho;
• 19% usam anfetaminas;
• 7% estão na faixa mais alta na Escala de Sonolência de Epworth, que indica um risco 70% maior de sofrer acidente automobilístico;
• 31% têm sobrepeso;
• 7% sofrem com hipertensão;
• 35% possuem triglicérides alta.

Os acidentes de trabalho também fazem parte da rotina dos caminhoneiros. O levantamento também apontou que 23% dos entrevistados já sofreram algum tipo de acidente nas estradas.

Dicas para ajudar a manter uma boa saúde

• Os caminhoneiros levam uma vida sedentária, pelo menos a maioria, e não têm tempo para praticar atividades físicas pela própria rotina corrida de trabalho. Sendo assim, sempre que possível, é importante fazer alongamentos de pernas, coluna e braços em cada parada. O alongamento reduz a tensão dos músculos e as dores musculares e ajuda a relaxar.

• Muitas vezes, o motorista almoça na estrada. Procure manter uma alimentação mais saudável e respeite os horários das refeições. Evite frituras e alimentos gordurosos. Dê preferência para legumes, verduras e carnes magras.

• Pelo menos uma vez por ano, tente fazer exames de rotina. Programa-se e visite o médico anualmente.

• Faça paradas para descansar. É importante para você conservar a saúde e ter uma viagem mais segura.

• Evite se automedicar e nunca faça uso de substâncias ilícitas.

• Procure dirigir com uma postura adequada, com o assento ajustado e com as costas apoiadas no encosto do banco. A postura faz toda a diferença nas viagens e previne dores musculares.

Por: Redação Na Boléia

Data: 22 de agosto de 2018
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